O que os seus registros dizem sobre as crianças pequenas e bem pequenas?

Muitas vezes, no cotidiano intenso da Educação Infantil, os registros viram um relato apressado do que foi realizado no decorrer da manhã ou da tarde: a(as) proposta(s) do dia, o material utilizado, quem participou… No entanto, esse tipo de anotação, ainda que válida, não nos ajuda a compreender os processos de aprendizagem das crianças, nem a planejar com mais intenção.

Um bom registro não se limita a descrever o que aconteceu. Ele revela o olhar da professora sobre a ação da criança. Ele conta como aquela criança se envolveu, que estratégias usou, como reagiu ao inesperado, que hipóteses elaborou, como expressou desejos ou frustrações. E tudo isso faz parte do seu processo de desenvolvimento.

As crianças pequenas e bem pequenas vivem descobertas profundas. Aprendem sobre o corpo, os limites do espaço, as emoções, a linguagem, o outro. As crianças conquistam a verticalidade e um mundo diferente se coloca frente a elas. Elas estão prontas para explorar esse mundo e, na experiência, conhecê-lo e conhecer a si próprias. E é nesse momento que o registro se torna ferramenta potente: não apenas para descrever, mas para conhecer, interpretar, mediar.

Isso será possível frente a atitude investigativa da professora. Por isso, ao registrar, podemos perguntar a nós mesmas: o que essa ação me mostra sobre essa criança? Quais hipóteses ela está construindo? Quais experiências ela já viveu? Em comparação ao que havia vivenciado até as últimas semanas, quais foram as suas conquistas? O que eu preciso oferecer ou como posso mediar para que ela siga se desenvolvendo?

Registrar é um exercício de escuta. Uma escuta que se faz com os olhos, com os ouvidos, com a proximidade da professora junto às crianças. Faz-se também com a sensibilidade e a intencionalidade da professora.

Reconheçamos que não existe uma forma única ou correta de registrar e que precisaremos, na caminhada, encontrar o nosso jeito. Perceber o que faz sentido para o nosso contexto e aquela dinâmica que conseguimos sustentar: esse será o melhor registro para nós. Não se trata de buscar perfeição, mas de caminhar na busca por sentido: sentido ao que fazemos, sentido às ações das crianças, sentido ao ser docente.

O que seus registros têm revelado, professora? Como as crianças pequenas e bem pequenas são retratadas neles?

Como escrever sobre uma situação delicada no relatório ou parecer avaliativo

Escrever ou não escrever sobre situações delicadas? Eis a questão! Em minhas andanças presenciais e virtuais já conversei com muitas pessoas sobre esse tópico e há grande parte das instituições ou redes educativas que orientam que as professoras não relatem tais questões nos documentos avaliativos. Dentre as justificativas está o suposto fato de que os relatórios ou pareceres devem ater-se aos aspectos pedagógicos ou de aprendizagem.

Como estudiosa da área, questiono: o que, tratando-se de crianças ou alunos não é pedagógico em uma instituição escolar? O que não se relaciona ao desenvolvimento da criança? E ainda mais: se nós, enquanto escola, não sinalizarmos para as famílias, quem o fará? Como educadoras e educadores, temos um dever ético com a verdade, por isso, sou defensora de que os aspectos importantes referentes às crianças precisam ficar registrados. As crianças têm o direito de ter seu desenvolvimento registrado. Concordo que talvez algumas situações (poucas) não devam estar nos relatórios, mas, para mim, a maior questão é como escrever de maneira respeitosa e condizente com a verdade.

Em situações delicadas, especialmente quando se trata de crianças, a maneira como as informações são comunicadas é de extrema importância. É crucial garantir que os responsáveis sejam informados de maneira apropriada e sensível, mantendo o respeito e a privacidade do aluno. Aqui estão algumas orientações sobre como escrever a cerca de uma situação delicada em um relatório ou parecer avaliativo.

1. Compartilhe com a família antecipadamente

O primeiro passo antes de escrever sobre uma situação delicada em um relatório é comunicar-se com a família da criança. É importante relatar, acolher e encaminhar a situação à família assim que possível. Isso evita que a família fique sabendo da situação pelo documento, o que pode gerar dúvidas e ser uma experiência desagradável. A conversa inicial com a família deve ser tratada com sensibilidade e empatia. Se necessário, procure atender junto de outro profissional da escola e busque sempre registrar em ata o que foi relatado e quais os combinados sobre a situação.

2. Relate por escrito os aspectos observáveis

Quando se trata de escrever o relatório, certifique-se de relatar apenas os aspectos observáveis. Isto significa focar nas ações da criança, sem fazer qualquer tipo de julgamento. Ao apresentar os fatos como eles são, você permite que os leitores do relatório tirem suas próprias conclusões. Isso também mantém o relatório objetivo e centrado na criança, ao invés de ser influenciado por opiniões pessoais. Para essa escrita, retome os registros elaborados no decorrer do ano.

3. Ilustre com evidências

Ilustre a situação relatada com exemplos ou falas da criança. Isso dará maior credibilidade ao seu relato e tornará a escrita mais compreensível. No entanto, é importante garantir que qualquer exemplo ou fala não seja embaraçosa para a criança. O objetivo do relatório é informar, não causar mais danos.

4. Descreva suas estratégias

Como você vem ajudando a criança? Que ações foram tomadas para apoiá-la a resolver a situação ou avançar em seu desenvolvimento? Este é um aspecto crucial do relatório, pois mostra que a situação está sendo tratada, tendo o desenvolvimento da criança em primeiro lugar.

5. Ofereça sugestões ou faça combinados com a família

Através do relatório você pode ajudar a família, orientando-a sobre como agir. Também pode realizar ou retomar combinações importantes realizadas anteriormente, que beneficiem a criança.

Escrever sobre uma situação delicada em um relatório pode ser um desafio, mas seguindo estas orientações, você pode garantir que o processo seja tratado com a máxima sensibilidade e profissionalismo. Lembre-se sempre de colocar o bem-estar e o desenvolvimento da criança em primeiro lugar.

Consciência fonêmica e método fônico

Hoje, dia 14 de novembro, celebramos o Dia da Alfabetização. Na minha jornada de aproximadamente 20 anos de imersão nesse tema, seja como professora alfabetizadora ou como pesquisadora do campo, pude acompanhar a beleza da construção desse processo, o início da descoberta do Sistema de Escrita Alfabética e o brilho no olho de quem vai, aos poucos, conseguindo desvendar o universo letrado no qual fazemos parte.

Ao conversar e ouvir algumas professoras e supostos “formadores” sobre a temática da alfabetização, venho percebendo incompreensões sobre dois termos, relacionados entre si, mas distintos. Essa imprecisão leva a sustentação de concepções equivocadas sobre o processo de alfabetização. Refiro-me aos termos consciência fonêmica e método fônico.

Vamos, primeiramente, buscar conceituá-los, mesmo que de maneira breve, para, assim, dissipar equívocos decorrentes da incompreensão dos conceitos.

Consciência fonológica é uma habilidade metafonológica, imprescindível para a alfabetização de qualquer pessoa. Refere-se, assim, à habilidade de refletir sobre os sons da fala e manipulá-los, o que possibilitará que o aprendente possa compreender que aquilo que emitimos através da fala pode ser registrado através de sinais gráficos, a escrita. Desta forma, a criança passa de uma ideia de que a escrita relaciona-se a características do objeto, para o entendimento de que a escrita corresponde aos sons da palavra.

Magda Soares (2021, p. 77) afirma que “Essa capacidade de refletir sobre os segmentos sonoros da fala é o que se denomina consciência fonológica: a capacidade de localizar e segmentar a cadeira sonora que constitui a palavra e de refletir sobre seus segmentos sonoros, que se distinguem por sua dimensão: a palavra, as sílabas, as rimas, os fonemas”.

A consciência fonológica não é um conhecimento nato do ser humano. Assim, precisa ser intencionalmente ensinada. E, como já mencionado, é um conhecimento de base para a construção da alfabetização. A consciência fonológica é dividida em: consciência de rimas, consciência de aliterações, consciência de palavra, consciência silábica e, por fim, consciência fonêmica. Cada uma delas refere-se a segmentos distintos das palavras e todas são importantes.

Na escola, as professoras utilizam diversos recursos e propostas para ensinar as diferentes dimensões da consciência fonológica, incluindo jogos orais e músicas, brincadeiras com rimas, identificação de palavras que iniciam iguais, propostas de criação de palavras com diferentes sílabas, comparações entre palavras, identificação de sons isolados, dentre inúmeras outras possibilidades. Dentre as consciências citadas, a consciência fonêmica é a mais refinada. Ela consiste em isolar cada um dos fonemas, manipulá-los e relacioná-los às letras correspondentes.

O método fônico (poderíamos dizer: os métodos fônicos), por sua vez, é estruturado por uma série de atividades baseadas na consciência fonêmica. A partir dele, as crianças são alfabetizadas tendo como foco os fonemas, que são ensinados isoladamente, seguindo uma sequência do mais simples para o mais complexo. O ensino também ocorre dos fonemas para as sílabas, das sílabas para as palavras e, somente então, para frases.

“[…] propõem que o aprendiz seja treinado a pronunciar fonemas isolados e a decorar letras que a eles equivalem, para, juntando mais e mais correspondências fonema-grafema, possa ler palavras e, um dia, ler textos.” (MORAIS, 2012, p. 29)

Uma das críticas ao uso desse método, da qual eu compartilho, é o desafio de isolar os fonemas, algo difícil inclusive para adultos experientes no uso da língua oral e escrita. Em Língua Portuguesa, todas as sílabas são compostas por, ao menos uma vogal, o que permite que as consoantes sejam adequadamente pronunciadas. Ao isolar cada uma das letras, tem-se a produção de sons que, naturalmente, na fala cotidiana, não aparecem da mesma forma, uma vez que são acompanhados das vogais. “[P]or trás dos métodos fônicos está a crença de que os fonemas existiriam como unidades na mente do aprendiz (que poderia não só pensar neles, mas, sem muito esforço, pronunciar /S/ /a/ /v/ /i/ para a palavra chave).” (MORAIS, 2012, p. 29)

Além disso, por mais que se busque utilizar pequenos textos para impulsionar essa prática, ela acaba por tornar-se descontextualizada e/ou superficial. “No livro Casinha Feliz, as consoantes são consideradas como ajudantes das vogais: ‘esse ajudante que parece um martelo, que tem uma perna bem comprida, é o ajudante do papai. Ele quer dizer papai, mas só faz um barulhinho assim: p p p. Parece um martelo batendo de leve’.” (FRADE, I. Glossário Ceale)

Independentemente de ser a favor, ou não, do uso do método fônico, é importante ressaltar que ele é estruturado nas habilidades de consciência fonêmica, ele não é a consciência fonêmica, tampouco a consciência fonêmica é o método fônico. O método fônico refere-se a um conjunto de procedimentos adotados para que uma criança se torne alfabetizada, já a consciência fonêmica é uma habilidade, dentre várias outras, necessárias para que a criança aprenda a ler e a escrever.

Assim, reitera-se que tais termos não são sinônimos. Outros métodos ou propostas de alfabetização – além do método fônico – também irão trabalhar as habilidades de consciência fonológica, incluindo a consciência fonêmica, visto que é uma habilidade importante para a construção dos conhecimentos necessários à alfabetização.

REFERÊNCIAS:

FRADE, Isabel C. A. S. Glossário Ceale – Método fônico ou fonético. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/metodo-fonico-ou-fonetico#:~:text=Neste%20m%C3%A9todo%20o%20ensino%20se,simples%20para%20os%20mais%20complexos.

MORAIS, Artur Gomes de. Sistema de escrita alfabética. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2012.

SOARES, Magda. Alfaletrar: Toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2021.

Categorias de instrumentos de registros pedagógicos

Você sabia que os instrumentos de registros são vitais para o acompanhamento do desenvolvimento das crianças e o planejamento docente? As informações obtidas a partir deles podem e devem ser orientadoras das mediações e estratégias a serem adotadas pelas professoras. Mas como definir qual instrumento de registro utilizar?

Compreender quais instrumentos existem e o que os caracteriza, pode lhe ajudar a definir qual ou quais instrumentos você irá utilizar. Vamos explorar mais sobre isso!

Para compreendermos os instrumentos de registros, é preciso levar em conta que é a professora quem decide os instrumentos que irá utilizar e realiza os registros, conforme sua intencionalidade pedagógica. Ou seja, os instrumentos de registros são elementos do trabalho docente. No entanto, as crianças se envolvem nesse processo, uma vez que seus registros (decorrentes das propostas, atividades, experimentações e explorações), podem ser utilizados pela professora para o acompanhamento do desenvolvimento de cada uma delas. Vejamos uma possível classificação dos instrumentos de registros:

Instrumentos utilizados e produzidos pela professora:

Através da escrita:

Através da escrita, têm-se uma variedade de instrumentos que a professora pode utilizar. Entre eles estão o caderno de anotações, o Diário de Bordo, a pauta de observações, o bloco de notas virtual ou físico e as fichas das crianças. Esses instrumentos têm em comum o fato de que todos eles envolvem algum tipo de escrita, seja manuscrita ou digital. Muitas vezes torna-se complicado realizar esse tipo de registro no decorrer da prática, mas, em momentos de planejamento e reflexão, é possível rememorar e realizar os registros escritos.

Através de outras linguagens:

Além da escrita, existem outros meios pelos quais a professora pode registrar informações sobre as crianças. Entre eles estão a fotografia, os áudios e as filmagens. Estes instrumentos permitem capturar momentos e interações que a escrita sozinha não dá conta de capturar completamente. Eles são realizados no momento em que as ações da criança estão acontecendo.

Registros produzidos pelas crianças:

As crianças também produzem seus próprios registros. Alguns exemplos são os registros gráficos e escritos, os materiais decorrentes de pesquisas, os temas ou tarefas de casa, as provas, as testagens, a autoavaliação e os instrumentos de metacognição. Estes registros são um reflexo direto do aprendizado das crianças e fornecem uma visão valiosa do seu progresso. Cabe ressaltar que a maior parte dos registros das crianças precisa ser produzida de forma contextualizada, dentro de trabalho pedagógico planejado pela professora, e não, com o simples intuito de subsidiar a escrita do relatório avaliativo, por exemplo.

Os instrumentos de registros são uma ferramenta essencial para os educadores, proporcionando um meio valioso de acompanhar o progresso das crianças e de planejar efetivamente as atividades de ensino. Ao entender sobre os diferentes tipos de instrumentos disponíveis e sobre como eles podem ser utilizados, você estará bem subsidiada para tomar decisões sobre quais instrumentos utilizar em seu próprio contexto de atuação docente.

As especificidades dos Relatórios Avaliativos do fim do ano letivo

Com o final do ano letivo se aproximando, chega o momento crucial de elaborar os relatórios avaliativos finais referentes a cada criança. Uma dúvida que chega até mim é: existem especificidades deste último relatório que produzimos? A resposta é sim. Este relatório é uma oportunidade única de olhar para o processo vivenciado como um todo e retomar o que cada criança construiu, aprendeu e desenvolveu ao longo do ano.

Para elaborar um relatório significativo, é necessário considerar as experiências e aprendizagens de cada temporalidade letiva, lembrando que as mais comuns no Brasil são o bimestre, o trimestre e o semestre. Em cada temporalidade a professora conseguirá, através dos seus registros e dos demais instrumentos avaliativos utilizados, perceber e evidenciar as conquistas, avanços e eventuais fragilidades ou lacunas de cada criança. O que difere o relatório elaborado ao fim do ano dos demais é a possibilidade de “enxergar” o todo dessa trajetória. Ao olhar para trás, é possível perceber como se desenrolou um fragmento da história de vida de cada aluno.

Para que esse processo seja efetivo, é necessário revisitar esses momentos, retomando os registros e os relatórios anteriores, prática essa pouco usual para muitas professoras. No entanto, isso não significa que é preciso relatar tudo novamente ou fazer a retomada de cada um dos aspectos do desenvolvimento da criança. Faça escolhas sobre o que é mais relevante para cada uma delas, lembrando que não precisamos relatar os mesmos aspectos para toda a turma. Lembre-se de que o objetivo é fornecer uma visão abrangente do progresso do aluno, não uma repetição de informações.

Aqui estão algumas orientações adicionais para ajudar na elaboração do relatório:

– É muito interessante elaborar um ou dois parágrafos contando a trajetória do grupo. Isso oferece uma visão geral das experiências compartilhadas pelos alunos ao longo do ano;

– Ao falar sobre aspectos individuais, seja realmente específica. Trazer exemplos, falas, situações, torna o relatório mais pessoal e significativo;

– Você pode finalizar com um recado mais afetivo, já que foi vivenciado um ano todo juntos. Isso pode ajudar a criar uma conexão emocional com a família e a criança e mostrar o quanto você valoriza o aluno;

– Lembre-se de que o relatório é sobre a criança, não sobre você. Suas observações são valiosíssimas, mas a forma com que irá relatá-las deve ter como foco a criança e seu desenvolvimento.

Elaborar um relatório do final do ano letivo pode ser um desafio, mas também é uma oportunidade de refletir sobre o progresso de cada criança e celebrar suas conquistas – as das crianças e as suas próprias conquistas, enquanto docente que elabora estratégias para ajudá-las. Com organização e planejamento, você pode criar um relatório que seja informativo, significativo e respeitoso.

Para mais orientações e conteúdos exclusivos, participe da nossa Comunidade do Facebook! Espero encontrar você por lá!

Link da Comunidade Relatórios Significativos:

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Educação socioemocional: aspectos a refletir

Não, colegas, eu não pesquiso sobre educação socioemocional. Esse não é o foco dos meus estudos, porém, acho importante propor algumas reflexões embasadas na minha experiência de 20 anos em educação, interação com milhares de professores desse Brasilzão e estudos em outros campos da educação.

Atualmente percebemos o quanto é, e na verdade sempre foi, importantíssimo abrir espaço na escola para a educação socioemocional, afinal, na escola agregamos seres humanos, seres complexos e com questões complexas que os constituem. Além disso, para muitos a escola é o ambiente mais saudável a que têm acesso. Ocorre que, especialmente quando vemos projetos ligados a essa temática serem desenvolvidos na Educação Infantil, muitíssimas vezes as professoras escolhem um mesmo livro de literatura infantil para explorar e realizam as mesmas propostas a partir dele.

O livro “O monstro das cores”, da autora Anna Llenas é lindo e muito potente. Aliás, sou uma fã dessa autora e minha biblioteca contém outros materiais publicados por ela. Acredito que ela tenha a habilidade de abordar temas complexos com a simplicidade e o encantamento de uma criança que está conhecendo o mundo. Assim, minha crítica aqui não é ao livro, muito menos à autora, mas sim, uma problematização sobre o uso que se faz desse livro e um chamamento para a necessidade de ampliarmos as possibilidades ligadas à literatura infantil, afinal, não é este o único livro infantil que trata sobre os sentimentos e as emoções em língua portuguesa. O que ocorre me parece ser um modismo em relação a esse livro em específico e um empobrecimento das práticas que se dizem de educação socioemocional.

Ao levarmos essa temática para a escola, não precisamos, necessariamente, elaborar um projeto ou sequência didática sobre. É possível, simplesmente, utilizar como leitura deleite ou em uma roda de conversa. Aliás, acredito em uma eduaçãosocioemocional que se faz no cotidiano, que ocorre nas mediações e encaminhamentos realizados pelas educadoras.

Além disso, projeto é aquilo que se faz com as crianças. Fazer um projeto, significa estudar um tema de forma mais aprofundada com a turma. Não é simplesmente ler um livro e fazer algumas atividades decorrentes dele. Um projeto pressupõe pesquisa, investigação, crianças envolvidas em uma aprendizagem na qual elas sejam protagonistas. Nesse sentido, será que o uso de somente uma literatura dará conta de provocar as crianças a pensar e investigar (junto com outras estratégias, é claro!)?

Para a criança, é importante ir entendendo aquilo que sente, mas não pode-se  reduzir a intencionalidade pedagógica em reconhecer as diferentes emoções e sentimentos e classificá-los. É preciso ir além! Educação socioemocional não se reduz a relacionar emoções com cores e classificá-las em potes. Cabe lembrar que esse é um processo longo, de uma vida inteira. Na escola, abordamos somente uma partezinha dessa complexidade toda, mas essa partezinha precisa ser mais reflexiva do que tenho visto.

– O que me faz sentir assim?

– O que eu faço com isso que estou sentindo?

– Quando fico dessa forma, o que posso fazer?

– Quais são as situações que me fazem ficar dessa forma?

– Outras pessoas, na mesma situação, sentem o mesmo? Por quê?

– O que penso ou tenho vontade de fazer quando estou assim?

– Por que isso me mobiliza?

– Como funciona essa coisa de sentimentos dentro da gente?

Essas são somente algumas perguntas que podem ampliar o pensar junto com as crianças e que demandam tempo para investigar. Não é viável explorar o tema de forma apressada, fazer correndo porque logo precisa iniciar outro projeto. É necessário fugir de uma lógica da pressa na escola das infâncias.

Há, ainda, outro ponto muito importante: é humano não saber bem o que está sentindo. Os sentimentos, mesmo nos adultos, nem sempre são claros e estão “organizados”. Muitas vezes o que sentimos é um misto de coisas, um emaranhado confuso. E nem sempre precisamos classificar, dar nomes, colocar uma lupa sobre eles. Conforme formos amadurecendo, iremos construindo estratégias de identificação daquilo que gera sentimentos que nos impactam de forma negativa e formas de lidar com isso. Isso leva muito tempo! Muitas pessoas fazem (e muitas outras deveriam fazer) terapia para buscar essa consciência. Assim, na escola, em muitos momentos, é importante, simplesmente acolher e ajudar a criança a lidar com o que está sentindo. Essa é a educação sociemocional que se faz no cotidiano, não necessariamente ligada a algum projeto.

Outro aspecto essencial é de que a educação socioemocional não pode gerar culpa na criança por ela estar sentindo o que está sentindo. (“Sentir raiva é ruim! Eu não deveria estar sentindo isso!”) Então não podemos cair no erro de julgar que alguns sentimentos são bons e outros são ruins. Sentir raiva, inveja, medo, tristeza é humano! Somos humanos e está tudo bem. A partir de todas essas provocações, deixo o convite à reflexão sobre esses pontos que, a meu ver, são essenciais.


Mencione este texto utilizando a seguinte referência:

GRANDO, Katlen Böhm. Educação socioemocional: aspectos a refletir. Disponível em: http://www.katlengrando.com

Madga Soares: um rico e necessário legado para a sociedade brasileira

O ano era 2011, mais precisamente, janeiro de 2011. Eu havia acabado de passar pela banca de qualificação da dissertação de mestrado, que realizava no PPG de Educação da PUCRS, sob orientação da professora Dra. Maria Inês Corte Vitória. Meu projeto referia-se ao contexto da Educação Infantil.

Foi quando recebi uma ligação. Era a querida professora Dra. Cleoni Fernandes me fazendo um convite para ingressar no Observatório da Educação, pois haveria uma vaga para mestrando com bolsa de estudos. Eu me inteirei sobre o projeto e aceitei na mesma hora.

Havia, entretanto, um porém: precisaria mudar o tema da minha dissertação. Isso mesmo, eu havia trabalhado um ano inteiro para qualificar um projeto voltado à Educação Infantil e precisaria, de uma hora para a outra, mudar a temática e o contexto da pesquisa, elaborar um novo projeto, realizar a coleta de dados, análise e escrita da dissertação, tudo isso em um ano, tempo restante para a finalização do mestrado em educação.

Vamos lá! Eu teria o apoio dessas professoras e, além disso, o desafio seria importante para mim, afinal, naquele ano eu iria assumir uma turma de 1° ano do Ensino Fundamental na educação básica. Mesmo tendo estudado sobre alfabetização na graduação, precisaria, de qualquer forma, me aprofundar nesse tema.

Foi o que aconteceu e foi aí que entrou Magda Soares na minha história! Ela entrou e me possibilitou compreender simplesmente o conceito chave da minha dissertação: o letramento. Esse foi o conceito presente nas entrevistas, questionários, e que guiou o meu olhar ao fazer a análise de dados. As contribuições da professora Magda permitiram que eu pudesse compreender a alfabetização para muito além da codificação e decodificação da língua escrita. Imersa nesse contexto da alfabetização, com uma turma de 25 crianças de 6 anos, Magda me ajudou a compreender como a cultura e os contextos de desenvolvimento da criança influem na significação que atribuem àquilo que vivenciam na escola. Magda colocou luzes nas discussões sobre os métodos de alfabetização e sobre a conquista da cidadania através do acesso à educação, em especial, à alfabetização.

Esses estudos reverberaram em mim e pude dar continuidade ao participar do PNAIC, ao realizar uma monografia sobre alfabetização e neurociências, ao elaborar minha tese de doutorado e na minha atuação enquanto formadora de professores. Seu legado é rico e muito necessário, pois engana-se quem pensa que o analfabetismo é questão superada no Brasil.

Infelizmente, nos últimos anos, a professora Madga não teve sua pesquisa e saberes reconhecidos, assim como vários outros educadores brasileiros que são referência dentro e fora do nosso país. A Política Nacional de Alfabetização, por exemplo, ao se dizer baseada em evidências, não considerou o conhecimento construído por ela.

Mas, felizmente, Magda não foi abandonada. Comemorou seus 90 anos, completos no dia 07 de setembro de 2022, foi homenageada e teve sua partida no dia primeiro de janeiro de 2023. Datas tão simbólicas, não é mesmo?

Magda, obrigada por tanto. Seu legado reverbera por aqui e estamos aumentando o volume de sua preciosa voz mais uma vez.


Mencione este texto utilizando a seguinte referência:

GRANDO, Katlen Böhm. Madga Soares: um rico e necessário legado para a sociedade brasileira. Disponível em: http://www.katlengrando.com

O Fim de Ano e o peso que atribuímos às coisas

Quando pensamos em fim de ano surge na mente aquele clima de comercial de televisão: família reunida em uma noite agradável, um clima gostoso de harmonia, gratidão e carinho entre as pessoas, trocas de presentes, pessoas bem vestidas e ótima comida. A gente quase consegue ouvir uma música de fundo, concorda?

Mas ocorre que essa é a época mais corrida do ano, para a maior parte das pessoas, especialmente quem atua na educação. É quando estamos simplesmente abarrotados de tarefas nas escolas: finalização dos documentos avaliativos, atividades de encerramento, organização dos documentos para a secretaria, reuniões finais, despedidas (no sentido figurado e no sentido literal). Sim, nesse momento em que muitos estão celebrando, vários outros estão lamentando a finalização de ciclos de trabalho nas redes privadas.

E com toda essa correria, é comum que os educadores cheguem às vésperas das festas nessa mesma correria e urgência e todo aquele cenário imaginado pode ser difícil de concretizar. Ceia? Opa, preciso ir ao mercado. Mercados lotados, falta até espaço para estacionar. A cunhada não come nada do que a gente gosta. O que vou preparar para ela? Xiii, esqueci o presente da sobrinha que resolveu de última hora passar o Natal junto. Putz! Percebi que não era esse o Lego que o Marquinhos queria. Será que ainda consigo trocar? É tanto presente que o décimo terceiro acaba rapidinho! Calor, correria, estresse! E a gente acaba descontando naquelas pessoas que estão conosco todos os dias e que são as mais especiais em nossa vida.

Precisa ser assim?

É claro que cada um tem seus parâmetros e as festas de fim de ano tem um peso maior ou menor, dependendo de cada pessoa e família, mas confesso para vocês que fico angustiada vendo tanta correia. Com a chegada das minhas filhas, como não somos uma família religiosa, resolvemos não investir nas comemorações que tem esse cunho. Participamos das ceias e almoços festivos, mas não entramos na neura dos presentes, roupas, decoração e cardápio impecável. Falamos tanto sobre o espírito de Natal, mas ele me parece ir para o ralo quando ficamos tão preocupados e ansioso com os aspectos materiais. Mais uma vez: precisa ser assim?

Neste fim de ano, gostaria de instigar cada um a pensar: onde estou colocando a minha energia? Como estou utilizando meus recursos (financeiros e aqueles do coração)? Como estou me sentindo nessa época do ano? De que maneiras posso me conectar comigo mesmo e com as pessoas que amo? Será que presentes, roupas caras e ceia de novela são tão necessários? Será que tem algo tomando uma proporção maior do que deveria? Vamos buscar viver esse espírito de fim de ano com entrega ao outro e não gastando cada fio da nossa energia em coisas que talvez não agreguem tanto? O que vai ficar na lembrança: os presentes ou os momentos vividos com quem mais amamos?

Mencione este texto utilizando a seguinte referência:

GRANDO, Katlen Böhm. O fim do ano e o peso que atribuímos às coisas. Disponível em: http://www.katlengrando.com

“Tenho dificuldades em relatar algo positivo sobre uma criança desafiadora!” – Disse a professora.

Atire a primeira pedra aquela professora que nunca se deparou com situação semelhante. Muitas vezes ficamos tão focadas na superação das dificuldades ou fragilidades da criança, que se torna difícil enxergá-la para além dessas dificuldades. Outras vezes, o que ocorre é que estamos muito envolvidas ou mobilizadas com todo o contexto da criança e aquilo que ela gera – e que nós precisamos administrar – junto à turma. Assim, não é incomum sentir a impressão de que não há algo positivo para relatar sobre a criança. Mas há! E eu irei lhe ajudar a pensar sobre recursos que você pode acessar para superar essa dificuldade.

É importante, inicialmente, lembrar o que é avaliação. Hoffmann (2020, p. 40) afirma que “Avaliar é construir estratégias de acompanhamento da história que cada criança vai construindo ao longo de sua vivência na instituição e fora dela, participando dessa história.” Assim sendo, é importante lembrar que nenhuma história humana é totalmente negativa, mas sim, composta por múltiplos fatores.

Isso nos leva a pensar sobre as formas de acompanhamento da história de cada criança. E é justamente esse o primeiro recurso que gostaria de sugerir. Pode parecer óbvio, mas certamente não é, pois na correia do cotidiano e na tensão durante a escrita dos documentos avaliativos, por vezes pode-se esquecer de até mesmo o óbvio. Assim, minha sugestão é que as professoras revisitem seus registros!

Se as professoras acompanham efetivamente a trajetória de desenvolvimento das crianças ao longo do processo e se realizam observações com intencionalidade, é improvável que não consigam resgatar aspectos relevantes e positivos sobre o desenvolvimento da criança em questão. Olhar para o passado e resgatar o que foi vivenciado, ajuda a ter uma noção mais assertiva sobre como foi o desenvolvimento ao longo do período avaliado.

“A partir do momento em que o escritor escreve sobre o outro, tem a possibilidade de ampliar seu ponto de vista e conhecer o outro – no caso do professor, seu grupo de referência.” (PROENÇA, 2021, p. 54) Assim, o registro sobre o desenvolvimento da criança passa a ser um recurso importantíssimo para conhecer e ampliar o se vê em relação a ela. Desta forma, certamente o acompanhamento da trajetória ajudará a enxergar múltiplos aspectos do desenvolvimento da criança e o olhar, que anteriormente estava focado nas dificuldades ou fragilidades, poderá ampliar-se e reconhecer várias potencialidades da criança. Nesse sentido, na escrita do relatório ou parecer descritivo, é possível inserir falas, episódios reais, situações concretas que ocorreram com a criança, resgatados dos registros da professora.

Se ainda for difícil ou caso não tenha realizado registros do processo, a segunda possibilidade é pedir ajuda. Isso mesmo! O trabalho docente não precisa ser solitário. Na escola, precisam ocorrer parcerias que possam ajudar cada professora a realizar o seu melhor.

A ajuda de outra pessoa, especificamente na situação que estou explorando neste texto, ou seja, devido à dificuldade em perceber aspectos positivos sobre uma criança, é especialmente importante, pois, por vezes, estamos tão envolvidas emocionalmente, exaustas, chateadas e nos sentindo impotentes, que não conseguimos enxergar os aspectos positivos. Assim, contar com auxílio de alguém que também conheça a turma e a criança, e que se proponha a “ajudar a olhar” torna-se extremamente salutar!

Desta forma, é importante buscar alguém com quem se consiga trocar ideias e impressões, alguém que partilhe suas impressões ou que questione sobre a criança, fazendo-nos pensar e perceber aspectos que talvez ainda não tenhamos percebido. Pode ser alguém da coordenação pedagógica, alguma outra professora que atue na turma, mesmo que eventualmente, uma auxiliar de sala ou parceira de trabalho.

Para finalizar, mais um aspecto relevante: se seu olhar estava “viciado”, percebendo somente as fragilidades da criança e se, com o resgate dos registros ou com a ajuda de outras pessoas, foi possível ampliar o olhar sobre a criança, é importante que esse “novo olhar” não seja algo meramente performático, que você somente utilize na escrita dos documentos avaliativos. Procure incorporar no cotidiano essa nova perspectiva sobre a criança. Certamente sua relação com ela irá se qualificar e novas possibilidades de desenvolvimento poderão ser criadas.


REFERÊNCIAS:

PROENÇA, Maria Alice. O registro e a documentação pedagógica: entre o real e o ideal… o possível! São Paulo: Panda Educação, 2021.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação e Educação Infantil: Um olhar sensível e reflexivo sobre a criança. Porto Alegre: Mediação, 2020.


Mencione este texto utilizando a seguinte referência:

GRANDO, Katlen Böhm. “Tenho dificuldades em relatar algo positivo sobre uma criança desafiadora!” – Disse a professora.. Disponível em: http://www.katlengrando.com

Uso da palavra “ainda” nos relatórios e pareceres avaliativos

Muitas professoras me procuram com dúvidas sobre a escrita dos documentos avaliativos. Uma dessas dúvidas diz respeito ao uso de algumas palavras que poderiam ser consideradas inadequadas. Chegam a falar em palavras proibidas. Frente aos meus estudos e minha experiência de 20 anos no campo da educação, acredito ser importante refletir sobre isso e gostaria de pensar, inicialmente, sobre a palavra “ainda”.

Leia e reflita sobre este trecho de um relatório de uma criança de 7 anos: “Helena ainda não conhece todo o alfabeto e os sons das letras.” Essa situação não é incomum, por mais que se espere que a criança já pudesse reconhecer as letras e estar fazendo correspondências grafema-fonema nessa fase do processo de alfabetização. Muitas crianças acabam, em função de diversos fatores, por demorar um pouco mais para compreender o nosso sistema de escrita e, construir a base de conhecimentos que permitirá que se alfabetizem. Não aprofundarei a análise sobre as dificuldades, tampouco entrarei nos aspectos referentes às estratégias para que essa criança possa avançar em seus conhecimentos. Minha intenção é refletir sobre o uso da palavra “ainda”, presente na frase inicial.

Várias pedagogas, que também se debruçam no estudo sobre avaliação e escrita dos relatórios e pareceres, condenam o uso da palavra “ainda”, pois essa palavra passa a mensagem de uma falta por parte da criança. “Ainda” coloca a criança em determinado tempo e, utilizando os colegas da turma ou alguns indicadores ou fases de desenvolvimento como parâmetros, evidencia que a criança sobre a qual se está falando, diferentemente do que se espera, não construiu, não desenvolveu, “não deu conta” de determinada habilidade ou conteúdo estudado. Ou seja, apresenta, a partir da comparação, uma dimensão da falta.

Assim, essa palavra está presente em construções frasais que evidenciam o que não foi construído. A partir dos meus estudos, defendo que os relatórios e pareceres também necessitam abordar as dificuldades das crianças, uma vez que elas podem fazer parte da trajetória de desenvolvimento individual, portanto, não há problema algum nisso. O grande problema, a meu ver, está quando as professoras só conseguem olhar para as dificuldades e não enxergam o processo de desenvolvimento como um todo.

Voltemos à palavra “ainda”! A reflexão que proponho sobre o uso desta palavra está alicerçada na ideia de que o processo de desenvolvimento humano não tem fim. Todos nós ainda não construímos algo, ainda estamos em processo. Ao utilizar “ainda” pode-se passar a ideia de que falta algo na criança, no entanto, dependendo da maneira como se faz isso, também é possível transmitir a ideia de que ela ainda não construiu, mas irá construir, e de que acredita-se que a criança irá construir. A professora Jussara Hoffmann afirma:

“Cada etapa da vida de uma criança é altamente significativa e precedente às próximas conquistas e precisa ser analisada como um projeto de futuro, como um ‘ainda’ que não se realizou, mas que é sempre possível se lhe forem oferecidas oportunidades para isso” (HOFFMANN, 2020, p. 93).

Na interpretação que realizo deste trecho da professora Jussara, percebo que cabe um mundo de possibilidades na palavra “ainda”, ou seja, um futuro que é aberto. “Ainda” fala sobre um projeto a ser realizado ou que está em curso e que é possível ser efetivado.

Nos relatórios e pareceres, a palavra “ainda” pode ser utilizada para evidenciar habilidades em processo de construção, que podem, ao longo do mês, do trimestre, do ano, tornarem-se construídas, o que ocorrerá com a mediação das educadoras. Desta forma, o uso da palavra “ainda”, não representa problema algum, se puder transmitir a ideia desse desenvolvimento que está em aberto. Uma possibilidade de utilizá-la de forma respeitosa e valorizando a trajetória da criança é relatando também como a escola vem ajudando a criança a desenvolver esse aspecto ainda não construído, o que a escola apresenta como estratégias, como possibilidades para que esse desenvolvimento continue acontecendo.

Você já havia pensado sobre o uso dessa palavra nos documentos avaliativos?


REFERÊNCIA:

HOFFMANN, Jussara. Avaliação e Educação Infantil: Um olhar sensível e reflexivo sobre a criança. Porto Alegre: Mediação, 2020.


Mencione este texto utilizando a seguinte referência:

GRANDO, Katlen Böhm. Uso da palavra “ainda” nos relatórios e pareceres avaliativos. Disponível em: http://www.katlengrando.com