Quando pensamos em fim de ano surge na mente aquele clima de comercial de televisão: família reunida em uma noite agradável, um clima gostoso de harmonia, gratidão e carinho entre as pessoas, trocas de presentes, pessoas bem vestidas e ótima comida. A gente quase consegue ouvir uma música de fundo, concorda?
Mas ocorre que essa é a época mais corrida do ano, para a maior parte das pessoas, especialmente quem atua na educação. É quando estamos simplesmente abarrotados de tarefas nas escolas: finalização dos documentos avaliativos, atividades de encerramento, organização dos documentos para a secretaria, reuniões finais, despedidas (no sentido figurado e no sentido literal). Sim, nesse momento em que muitos estão celebrando, vários outros estão lamentando a finalização de ciclos de trabalho nas redes privadas.
E com toda essa correria, é comum que os educadores cheguem às vésperas das festas nessa mesma correria e urgência e todo aquele cenário imaginado pode ser difícil de concretizar. Ceia? Opa, preciso ir ao mercado. Mercados lotados, falta até espaço para estacionar. A cunhada não come nada do que a gente gosta. O que vou preparar para ela? Xiii, esqueci o presente da sobrinha que resolveu de última hora passar o Natal junto. Putz! Percebi que não era esse o Lego que o Marquinhos queria. Será que ainda consigo trocar? É tanto presente que o décimo terceiro acaba rapidinho! Calor, correria, estresse! E a gente acaba descontando naquelas pessoas que estão conosco todos os dias e que são as mais especiais em nossa vida.
Precisa ser assim?
É claro que cada um tem seus parâmetros e as festas de fim de ano tem um peso maior ou menor, dependendo de cada pessoa e família, mas confesso para vocês que fico angustiada vendo tanta correia. Com a chegada das minhas filhas, como não somos uma família religiosa, resolvemos não investir nas comemorações que tem esse cunho. Participamos das ceias e almoços festivos, mas não entramos na neura dos presentes, roupas, decoração e cardápio impecável. Falamos tanto sobre o espírito de Natal, mas ele me parece ir para o ralo quando ficamos tão preocupados e ansioso com os aspectos materiais. Mais uma vez: precisa ser assim?
Neste fim de ano, gostaria de instigar cada um a pensar: onde estou colocando a minha energia? Como estou utilizando meus recursos (financeiros e aqueles do coração)? Como estou me sentindo nessa época do ano? De que maneiras posso me conectar comigo mesmo e com as pessoas que amo? Será que presentes, roupas caras e ceia de novela são tão necessários? Será que tem algo tomando uma proporção maior do que deveria? Vamos buscar viver esse espírito de fim de ano com entrega ao outro e não gastando cada fio da nossa energia em coisas que talvez não agreguem tanto? O que vai ficar na lembrança: os presentes ou os momentos vividos com quem mais amamos?
Mencione este texto utilizando a seguinte referência:
GRANDO, Katlen Böhm. O fim do ano e o peso que atribuímos às coisas. Disponível em: http://www.katlengrando.com
