Como escrever sobre uma situação delicada no relatório ou parecer avaliativo

Escrever ou não escrever sobre situações delicadas? Eis a questão! Em minhas andanças presenciais e virtuais já conversei com muitas pessoas sobre esse tópico e há grande parte das instituições ou redes educativas que orientam que as professoras não relatem tais questões nos documentos avaliativos. Dentre as justificativas está o suposto fato de que os relatórios ou pareceres devem ater-se aos aspectos pedagógicos ou de aprendizagem.

Como estudiosa da área, questiono: o que, tratando-se de crianças ou alunos não é pedagógico em uma instituição escolar? O que não se relaciona ao desenvolvimento da criança? E ainda mais: se nós, enquanto escola, não sinalizarmos para as famílias, quem o fará? Como educadoras e educadores, temos um dever ético com a verdade, por isso, sou defensora de que os aspectos importantes referentes às crianças precisam ficar registrados. As crianças têm o direito de ter seu desenvolvimento registrado. Concordo que talvez algumas situações (poucas) não devam estar nos relatórios, mas, para mim, a maior questão é como escrever de maneira respeitosa e condizente com a verdade.

Em situações delicadas, especialmente quando se trata de crianças, a maneira como as informações são comunicadas é de extrema importância. É crucial garantir que os responsáveis sejam informados de maneira apropriada e sensível, mantendo o respeito e a privacidade do aluno. Aqui estão algumas orientações sobre como escrever a cerca de uma situação delicada em um relatório ou parecer avaliativo.

1. Compartilhe com a família antecipadamente

O primeiro passo antes de escrever sobre uma situação delicada em um relatório é comunicar-se com a família da criança. É importante relatar, acolher e encaminhar a situação à família assim que possível. Isso evita que a família fique sabendo da situação pelo documento, o que pode gerar dúvidas e ser uma experiência desagradável. A conversa inicial com a família deve ser tratada com sensibilidade e empatia. Se necessário, procure atender junto de outro profissional da escola e busque sempre registrar em ata o que foi relatado e quais os combinados sobre a situação.

2. Relate por escrito os aspectos observáveis

Quando se trata de escrever o relatório, certifique-se de relatar apenas os aspectos observáveis. Isto significa focar nas ações da criança, sem fazer qualquer tipo de julgamento. Ao apresentar os fatos como eles são, você permite que os leitores do relatório tirem suas próprias conclusões. Isso também mantém o relatório objetivo e centrado na criança, ao invés de ser influenciado por opiniões pessoais. Para essa escrita, retome os registros elaborados no decorrer do ano.

3. Ilustre com evidências

Ilustre a situação relatada com exemplos ou falas da criança. Isso dará maior credibilidade ao seu relato e tornará a escrita mais compreensível. No entanto, é importante garantir que qualquer exemplo ou fala não seja embaraçosa para a criança. O objetivo do relatório é informar, não causar mais danos.

4. Descreva suas estratégias

Como você vem ajudando a criança? Que ações foram tomadas para apoiá-la a resolver a situação ou avançar em seu desenvolvimento? Este é um aspecto crucial do relatório, pois mostra que a situação está sendo tratada, tendo o desenvolvimento da criança em primeiro lugar.

5. Ofereça sugestões ou faça combinados com a família

Através do relatório você pode ajudar a família, orientando-a sobre como agir. Também pode realizar ou retomar combinações importantes realizadas anteriormente, que beneficiem a criança.

Escrever sobre uma situação delicada em um relatório pode ser um desafio, mas seguindo estas orientações, você pode garantir que o processo seja tratado com a máxima sensibilidade e profissionalismo. Lembre-se sempre de colocar o bem-estar e o desenvolvimento da criança em primeiro lugar.

Categorias de instrumentos de registros pedagógicos

Você sabia que os instrumentos de registros são vitais para o acompanhamento do desenvolvimento das crianças e o planejamento docente? As informações obtidas a partir deles podem e devem ser orientadoras das mediações e estratégias a serem adotadas pelas professoras. Mas como definir qual instrumento de registro utilizar?

Compreender quais instrumentos existem e o que os caracteriza, pode lhe ajudar a definir qual ou quais instrumentos você irá utilizar. Vamos explorar mais sobre isso!

Para compreendermos os instrumentos de registros, é preciso levar em conta que é a professora quem decide os instrumentos que irá utilizar e realiza os registros, conforme sua intencionalidade pedagógica. Ou seja, os instrumentos de registros são elementos do trabalho docente. No entanto, as crianças se envolvem nesse processo, uma vez que seus registros (decorrentes das propostas, atividades, experimentações e explorações), podem ser utilizados pela professora para o acompanhamento do desenvolvimento de cada uma delas. Vejamos uma possível classificação dos instrumentos de registros:

Instrumentos utilizados e produzidos pela professora:

Através da escrita:

Através da escrita, têm-se uma variedade de instrumentos que a professora pode utilizar. Entre eles estão o caderno de anotações, o Diário de Bordo, a pauta de observações, o bloco de notas virtual ou físico e as fichas das crianças. Esses instrumentos têm em comum o fato de que todos eles envolvem algum tipo de escrita, seja manuscrita ou digital. Muitas vezes torna-se complicado realizar esse tipo de registro no decorrer da prática, mas, em momentos de planejamento e reflexão, é possível rememorar e realizar os registros escritos.

Através de outras linguagens:

Além da escrita, existem outros meios pelos quais a professora pode registrar informações sobre as crianças. Entre eles estão a fotografia, os áudios e as filmagens. Estes instrumentos permitem capturar momentos e interações que a escrita sozinha não dá conta de capturar completamente. Eles são realizados no momento em que as ações da criança estão acontecendo.

Registros produzidos pelas crianças:

As crianças também produzem seus próprios registros. Alguns exemplos são os registros gráficos e escritos, os materiais decorrentes de pesquisas, os temas ou tarefas de casa, as provas, as testagens, a autoavaliação e os instrumentos de metacognição. Estes registros são um reflexo direto do aprendizado das crianças e fornecem uma visão valiosa do seu progresso. Cabe ressaltar que a maior parte dos registros das crianças precisa ser produzida de forma contextualizada, dentro de trabalho pedagógico planejado pela professora, e não, com o simples intuito de subsidiar a escrita do relatório avaliativo, por exemplo.

Os instrumentos de registros são uma ferramenta essencial para os educadores, proporcionando um meio valioso de acompanhar o progresso das crianças e de planejar efetivamente as atividades de ensino. Ao entender sobre os diferentes tipos de instrumentos disponíveis e sobre como eles podem ser utilizados, você estará bem subsidiada para tomar decisões sobre quais instrumentos utilizar em seu próprio contexto de atuação docente.