O que os seus registros dizem sobre as crianças pequenas e bem pequenas?

Muitas vezes, no cotidiano intenso da Educação Infantil, os registros viram um relato apressado do que foi realizado no decorrer da manhã ou da tarde: a(as) proposta(s) do dia, o material utilizado, quem participou… No entanto, esse tipo de anotação, ainda que válida, não nos ajuda a compreender os processos de aprendizagem das crianças, nem a planejar com mais intenção.

Um bom registro não se limita a descrever o que aconteceu. Ele revela o olhar da professora sobre a ação da criança. Ele conta como aquela criança se envolveu, que estratégias usou, como reagiu ao inesperado, que hipóteses elaborou, como expressou desejos ou frustrações. E tudo isso faz parte do seu processo de desenvolvimento.

As crianças pequenas e bem pequenas vivem descobertas profundas. Aprendem sobre o corpo, os limites do espaço, as emoções, a linguagem, o outro. As crianças conquistam a verticalidade e um mundo diferente se coloca frente a elas. Elas estão prontas para explorar esse mundo e, na experiência, conhecê-lo e conhecer a si próprias. E é nesse momento que o registro se torna ferramenta potente: não apenas para descrever, mas para conhecer, interpretar, mediar.

Isso será possível frente a atitude investigativa da professora. Por isso, ao registrar, podemos perguntar a nós mesmas: o que essa ação me mostra sobre essa criança? Quais hipóteses ela está construindo? Quais experiências ela já viveu? Em comparação ao que havia vivenciado até as últimas semanas, quais foram as suas conquistas? O que eu preciso oferecer ou como posso mediar para que ela siga se desenvolvendo?

Registrar é um exercício de escuta. Uma escuta que se faz com os olhos, com os ouvidos, com a proximidade da professora junto às crianças. Faz-se também com a sensibilidade e a intencionalidade da professora.

Reconheçamos que não existe uma forma única ou correta de registrar e que precisaremos, na caminhada, encontrar o nosso jeito. Perceber o que faz sentido para o nosso contexto e aquela dinâmica que conseguimos sustentar: esse será o melhor registro para nós. Não se trata de buscar perfeição, mas de caminhar na busca por sentido: sentido ao que fazemos, sentido às ações das crianças, sentido ao ser docente.

O que seus registros têm revelado, professora? Como as crianças pequenas e bem pequenas são retratadas neles?